Genética, Ecologia, Evolução! Os tentilhões de Darwin Por: Rayan Silva de Paula

As práticas envolvidas com o ensino de Evolução biológica ainda são bem escassas. Práticas que envolvem mais de um tema da biologia, concomitantemente, são ainda mais raras. Desse modo, "Genética, Ecologia, Evolução! Os tentilhões de Darwin" é uma prática capaz de rever as bases estruturais da genética e compreender como se relacionam com o ambiente e entre si, e como se aplicam na natureza. Por se tratar de assuntos tão amplos, mas ao mesmo tempo tão interligados, como sugere o próprio título, essa prática possui, desde objetivos simples a objetivos mais complexos, ao se pensar sob a perspectiva do estudante.

Dentre os objetivos simples, destacam-se a possibilidade de reconhecer a estrutura do DNA e relacioná-la com as sequências de nucelotídeos constituintes de genes e confere a capacidade de definir o conceito de mutação. Por sua vez, os objetivos complexos mostram-se atrelados à capacidade de relacionar os conceitos de genótipo, fenótipo, variação, bem como estabelecer as relações entre esses conceitos e o meio ambiente, culminando na geração de novas espécies e sua relação com a ancestralidade comum, além de permitir a definição dos conceitos de migração, extinção e adaptação, relacionando estes conceitos com o de seleção natural. À primeira vista, a prática pode parecer um tanto quanto complexa, entretanto, se bem aplicada, o aluno poderá interligar o conhecimento de várias áreas da biologia em uma única oportunidade.

Conceitos abordados:

DNA: molécula formada por partes menores denominadas nucleotídeos. Esses nucelotídeos, formados por uma ribose, um grupamento fosfato e por uma base nitrogenada, se pareiam especificamente, formando uma estrutura em dupla-hélice, o DNA.

Gene: porções da cadeia de DNA que codificam funções, ou seja, sequeências de nucleotídeos específicas.

Mutação: mudanças nas sequências dos genes de diferentes indivíduos durante o processo de divisão celular.

Variação: alelos gênicos, que são sequências de nucelotídeos um pouco diferentes entre si, mas que, geralemente, representam o mesmo gene, geram proteínas distintas, criando variação entre os indivíduos.

Genótipo: conjunto de genes e seus alelos de um indivíduo.

Fenótipo: diferenças perceptíveis entre os indivíduos (por exemplo, morfologia, cor, comportamento). Sofre influência do ambiente.

Extinção: total desaperecimento de espécies ou grupo de espécies do ambiente.

Migração: capacidade que possuem os organismos de se deslocarem de um ambiente a outro. É um dos fatores que corroboram com a variabilidade genética.

Adaptação: qualquer característica ou comportamento natural evoluído que torna algum organismo capacitado a sobreviver em um determinda ambiente. Podem ser anatômicas, fisiológicas ou comportamentais.

Seleção natural: as condições ambientais selecionam quão bem uma determinada característica de um organismo ajuda na sobrevivência e reprodução desse organismo.

 

 *Prática de autoria dos alunos do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Alan Sales Barbosa, Ana Cláudia Dias Rodrigues da Silva, Luiza Bastani Itabayana, Pedro Henrique Leroy Viana e Rayan Silva de Paula). Essa prática foi elaborada durante a disciplina de Laboratório de Ensino de Genética sob supervisão da Professora Doutora Adlane Vilas-Boas Ferreira, durante primeiro semestre de 2013. A prática foi aplicada na escola Estadual Anita Brina Brandão.

Materiais Necessários

  • Seis folhas de Espumas Vinílicas Acetinadas (EVAs
  • Uma caneta de ponta fina
  • Uma folha de cartolina (qualquer cor)
  • Onze folhas de papel A4
  • Quatro envelopes médios
  • Uma Tesoura
  • Um tubo de cola branca
  • Um cartucho de cola quente
  • Uma fita adesiva
  • Impressora
  • Seis folhas de papel sulfite coloridas
  • Pincéis coloridos
  • Uma chapa de raio X

Fase 1 - Montagem do material

Desenhe os moldes de tentihões e árvores em papel A4. Cole os desenhos na chapa de raio X e recorte-os.

Utilize os moldes para desenhar nas folhas coloridas de EVA usando a caneta de ponta fina. Ao todo serão quatro espécies de tentilhões (representados por cores distintas de EVA). Cada espécie de tentilhão deve possuir um formato distinto de bico, de modo que seu bico encaixe, semelhante a um quebra cabeças, nos frutos que serão produzidos (para os tentilhões, sugerimos as cores azul, laranja, verde e vermelho. Para as árvores, a copa será verde, tronco marrom e os frutos amarelos. Após recortar os moldes, cole-os em cartolina para dar mais firmeza.

O total de cada um dos itens a serem produzidos, para funcionamento da prática é:

Número de tentilhões por ilha (grupos de 1-4 formado pelos alunos):

G1: 7 azul, 1 laranja, 3 verde, 2 vermelho G2: 2 azul, 8 laranja, 2 verde, 1 vermelho G3: 3 azul, 3 laranja, 2 verde, 5 vermelho G4: 1 azul, 2 laranja, 6 verde, 4 vermelho

TOTAIS: azul: 13/ verde: 13/ vermelho: 12/ laranja: 15

Frutos (as cores abaixo relacionam-se a cor do tentilhão que terá um formato de bico específico. Se o modelo de tentilhão azul, por exemplo, possui bico arredondado, o fruto que ele come será arredondado e necessitará a presença de 7 frutos que permita o encaixe do bico do tentilhão azul): G1: 7 azul, 4 vermelho G2: 9 laranja, 6 verde G3: 5 azul, 3 verde G4: 6 laranja, 7 vermelho

TOTAIS: azul: 12/ verde: 9/ vermelho: 11/ laranja: 15

Árvores: Serão um total de 8 árvores.

Fase 2 - Apresentação, procedimentos e análise dos resultados da prática

As demais instruções necessárias à aplicação da prática estão disponíveis no arquivo .pdf do link abaixo:

http://pontociencia.org.br/pdf/anexo_pontociencia_tentilhoes.pdf

Nele estão contidos os roteiros do aluno e do professor, um molde de tentilhão, imagens das diferentes espécies e do cladograma segundo Sato A. et al., PNAS, 1999;96:5101-5106, para que possam ser impressos caso deseje o professor.

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